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O Hospital Universitário Antônio Pedro nem sempre carregou consigo o título de Hospital Universitário, bem como, não foi o primeiro hospital utilizado para o aprendizado pela Faculdade Fluminense de Medicina. Seu processo de vinculamento à UFF revela detalhes intrigantes e perpassa eventos memoráveis da história da cidade de Niterói. O hospital primeiramente utilizado para o aprendizado clínico da Faculdade Fluminense de Medicina (FFM) chamava-se Hospital São João Batista e, na época representava, o único hospital geral da cidade. Localizava-se no alto do morro do Valonguinho, onde hoje é o prédio da UFF conhecido como Física Velha. Esse ofereceu, desde 1872, serviços gratuitos à população de Niterói e dos municípios vizinhos.

 

Foi apenas na segunda metade da década de 40, que se iniciou a construção de “um magnífico Hospital de Pronto Socorro”, que serviria também como “confortável e moderno Hospital de Clínicas, num monobloco de 8 andares, com capacidade para cerca de 500 leitos” com nome em homenagem a um importante clínico geral que foi o primeiro diretor e um dos fundadores da Faculdade Fluminense de Medicina. Tratava-se do Hospital Municipal Antônio Pedro, considerado na época um projeto muito ambicioso.

 

Com o fechamento do Hospital São João Baptista, a Faculdade reivindicava há muito seu hospital-escola. Na década de 1950 havia sido prometida em reuniões com políticos e governantes a construção do Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina. No entanto, na época, os estudantes denunciaram à imprensa o descaso com a construção, limitada, até então, à pedra fundamental e a um canteiro de obras.

 

Com a inauguração do Hospital Municipal Antônio Pedro, em Janeiro de 1951, a Faculdade Fluminense de Medicina, já federalizada desde 4 de dezembro de 1950, firmou convênio com o hospital para utilização de suas enfermarias para ensino prático. Esse convênio foi progressivamente aumentado e estendeu-se às faculdades de Enfermagem e Serviço Social, o que reduziu os custos do hospital para o Município e permitiu sua sobrevivência por algum tempo. Contudo, a instabilidade financeira do Hospital somada à elevação progressiva da inflação repercutiu em seu fechamento no ano de 1960. Entretanto, em 17 de dezembro de 1961 o Hospital foi aberto às pressas por iniciativa de médicos e estudantes devido ao dramático incêndio do “Gran Circus Norte Americano” que resultou em centenas de feridos e cerca de 400 mortos, a maioria crianças.

Professores e estudantes da Faculdade Fluminense de Medicina, médicos, enfermeiros e outros profissionais da área da saúde foram convocados a se dirigirem ao Hospital Municipal Antônio Pedro, para assistirem os queimados e para mobilizar pessoal, material e equipamentos para a gravíssima emergência que estava acontecendo. A tragédia foi uma verdadeira comoção nacional, tendo sido emblemáticas as lágrimas do presidente Jango ao visitar as vítimas do acidente. Na época, destacaram-se participações ilustres como a do cirurgião plástico Ivo Pitanguy e de sua equipe, bem como a do médico argentino Fortunato Benaim, especialista em queimados, que veio de seu país com a equipe do Hospital de Niños Queimados para prestar socorro às vítimas.

 

Após o incêndio, estudantes e professores da Faculdade iniciaram intensa campanha junto à Prefeitura para que o Hospital fosse cedido à recém fundada Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UFERJ), denominação que antecedeu a de Universidade Federal Fluminense (UFF). Em 1961, a faculdade de medicina deixou de ser uma escola isolada e passou a integrar a UFF. Iniciou-se o processo de doação do Hospital a Universidade que assumiu o compromisso de continuar mantendo a prestação de assistência à população e de recuperar o hospital e adaptá-lo à condição de Hospital-Escola. Em 1964 o hospital foi definitivamente transferido para a Universidade.

 

Atualmente o Hospital Universitário Antônio Pedro vem enfrentando questões políticas importantes que repercutem na mobilização de alunos e funcionários do hospital frente a temas polêmicos como a EBSERH, fechamento da Emergência para livre demanda e redução do número de leitos.

2021 – Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense

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