CURRÍCULO

  HISTÓRICO

No final da década de 70, professores e alunos descontentes com a forma como estava sendo ministrado o ensino no Curso de Medicina da UFF começaram a discutir mudanças no currículo do curso. Com várias interrupções nesse processo, a partir de 1983 as discussões tomaram corpo. Alinhados com as discussões do Movimento Sanitário que culminaria na criação do SUS em 1988, os professores e o movimento estudantil discutiram qual o perfil do profissional desejado, reformas curriculares no Brasil e a situação sanitária do nosso país naquela época. Conclui-se, a partir dessas discussões, que o sistema de saúde precisava ser mudado, e que a formação médica era excessivamente teórica, centrada em especialidades e doenças, em detrimento do conjunto humano e da promoção da saúde. Através de experiências de integração entre a universidade e a rede de saúde, com parcerias entre a Faculdade de Medicina, secretarias Municipal e Estadual de Saúde, INAMPS, e financiadas pela Organização Panamericana de Saúde/OMS e a Fundação Kellog's, foi-se estruturando o modelo de currículo que só seria delineado definitivamente em 1992, e implantado em 1994.

  OBJETIVOS

Os objetivos gerais do currículo do Curso de Medicina da UFF são:

 

  • buscar a interdisciplinaridade;
  • repensar constantemente os conhecimentos da área médica, em decorrência da velocidade de desenvolvimento da ciência e da tecnologia;
  • formar um médico de visão humanista, técnico competente, que possua conhecimentos, atitudes e comportamentos éticos, habilidades psicomotoras e compromisso social.

 

O modelo curricular da UFF propõe integração entre teoria e prática, com interdisciplinaridade, por meio dos programas Teórico-Demonstrativo e Prático-Conceitual. Eles devem capacitar o futuro médico a atuar em Medicina Clínica e Cirúrgica, Tocoginecologia, Pediatria e Saúde Coletiva, em diferentes níveis de complexidade, atendendo às demandas da comunidade onde se inserem os serviços de saúde.

  MODELO

O currículo da Medicina UFF é estruturado em dois programas que correm paralelamente ao longo do curso, o Teórico-Demonstrativo e o Prático-Conceitual, que culminam no programa de Internato,  mais um programa de Iniciação Científica, que acontece ao longo de todo o curso.

  • Programa Teórico-Demonstrativo (PTD): é realizado através de aulas teóricas mais demonstrações práticas realizadas pelos professores. Seu objetivo é dar ao estudante embasamento teórico para executar suas ações no programa prático-conceitual,  ensinando de forma interdisciplinar. Sua carga horária é dada de forma decrescente ao longo do curso, de forma que o aluno vá se tornando apto a praticar conforme o acúmulo teórico.
  • Programa Prático-Conceitual (PPC): é realizado em sala de aula e nos diferentes campos de atuação do médico: escolas, laboratórios, unidades básicas de saúde, policlínicas, hospitais, organizações não governamentais e quaisquer outros à disposição, distribuídos conforme a progressão no curso. No PPC, a teoria acumulada no PTD é posta em prática supervisionada, e discutida entre os colegas. A intenção é que a quantidade de prática aumente conforme o andamento do curso, até culminar com no Internato.
  • Programa de Internato: nele, a intenção é que, após passar pelo PTD e pelo PPC, o aluno continue em treinamento, realizando atividades nos ambulatórios, enfermarias e emergências, nas quatro grandes áreas, e em outras áreas de sua livre escolha, ao longo de 2 anos.
  • Programa de Iniciação Científica: desempenhado através das disciplinas obrigatórias Iniciação Científica I, no primeiro período, e Saúde e Sociedade IV, em que o método científico é posto em discussão, e disciplinas optativas de Iniciação Científica II a VIII.

 

  FASES

  • Primeira fase: entender o ser humano e o processo de saúde-doença em suas características biológicas, psicológicas, sociais, históricas, ambientais, e ideológicas.
  • Segunda fase: compreender os mecanismos de agressão e defesa biológicos, físicos, psíquicos e químicos, nas perspectivas individual e coletiva, construindo um perfil epidemiológico.
  • Terceira fase: desenvolver a relação médico-paciente, interpretar sinais e sintomas, semiótica, exames complementares, e o desenvolvimento emocional; desenvolver a capacidade de pensar e agir de forma integral para promover, proteger e recuperar a saúde, a nível primário de atenção.
  • Quarta fase: aprender a diagnosticar e tratar as patologias mais frequentes nas quatro grandes áreas, e desenvolver a capacidade de pensar e agir de forma integral para promover, proteger e recuperar a saúde a nível secundário de atenção.
  • Quinta fase: realizar atividades supervisionadas nos ambulatórios, enfermarias e emergências.
  • Sexta fase: programa de livre escolha por qualquer área da Medicina, e apresentação do Trabalho Monográfico de Conclusão de Curso.

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